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COLUNA ESPORTIVA: Mi Lotto lembra de Paulo Moisés, um ponta habilidoso

Na minha transferência profissional para a cidade de Catanduva, no noroeste do estado de São Paulo, tem história dentro da história que é interessante. Essa é do Paulo Moisés, um grande atleta que tive o privilégio de ver jogar. Tem um uma história interessante do Paulo, que foi um ponta extremamente habilidoso, que passou pelo São Paulo, Flamengo, Atlético-MG, entre outros.

Eu estava passeando com a Maria Eduarda, a Duda, uma cachorra dálmata que tínhamos. Meus filhos eram pequenos e eu estava caminhando nas horas de folga com a Duda perto do Cemitério da rua 24 de Fevereiro, em Catanduva.

Do nada, vi um pretinho descendo com a perna torta, baixinho, com uma bolsa amarradinha. Na época, usava-se uma ‘pochete’, mas era no pulso que ela se prendia. Eu parei e pensei: eu conheço esse bigodinho, um bigodinho assim é estilo de ex-jogador de futebol.

“Você é o Paulo Moisés?, perguntei. Ele falou: Sou eu mesmo. Eu rebati: “Nossa, eu presenciei uma história sua!” E continuei….

Paulo Moisés foi um grande atleta que jogou no XV de Jaú, se não me engano, do final dos anos 70, quando eu morava ainda em Jaú. Lá aconteceu um caso muito interessante.

O XV de Jaú fez um amistoso para inaugurar o Estádio Zézinho Magalhães, hoje chamado de Jauzão. Acho que o amistoso foi em 1978. Eu estava lá, no meio da torcida. O amistoso foi contra a Seleção do Paraguai.

Paulo Moisés era titular do XV, era um ponta esquerda de altíssimo gabarito, e tirava para dançar, entortava todo mundo. Logo no começo do jogo, o lateral direito não conseguia marcá-lo, e o Paulo Moisés entortava o rapaz, tirava para dançar, e tirava para a esquerda, e driblava, e todos aplaudiam. Foi um show a parte dos dribles e jogadas do Paulinho (como alguns o chamavam).

Existia um centroavante de quase dois metros, chamado Marcão e o Paulo Moisés descia para a ponta esquerda, que naquela época a função do ponta era cruzar a bola, e colocou a bola na cabeça do Marcão: 1×0. Depois de outros dribles, novo cruzamento do Paulinho: 2×0 em menos de 15 minutos de jogo.

Aí não deu outra, em 20 minutos, o Paulo Moisés atormentou tanto o lateral direito, driblando e deixando ele atordoado, que antes dos 20 minutos do primeiro tempo o rapaz foi substituído. Foi a primeira vez que vi um jogador profissional ser tirado de campo sem estar machucado. Ficou evidente que o lateral foi sacado porque não deu conta de marcar o Paulo Moisés.

Lembro que depois do XV de Jaú o Paulo jogou no Barretos, Catanduva e Noroeste. Então, após se aposentar, passou a morar em Catanduva, onde constituiu sua família, apesar de ser nascido no Rio de Janeiro. Infelizmente Paulinho faleceu em 2013.

Fica, aqui, essa pequena história do grande Paulinho Moisés, que além de histórias no XV de Jaú, com certeza teve histórias em grandes clubes do futebol brasileiro.

História dentro da história! Um abraço, até a próxima!

*Mi Lotto é pedagogo, analista de RH, produtor cultural e ex-atleta amador. Jogou, quando jovem, em Jaú. Apaixonado por esportes e por histórias do futebol, é colunista do portal Universo Esportivo.