Bolívia 2 x 0 Brasil: a primeira derrota da Seleção em eliminatórias ocorreu em 1993, em La Paz
Hoje, é difícil imaginar o Brasil perdendo uma partida de eliminatórias para a Bolívia. Mas em 25 de julho de 1993, no Estádio Hernando Siles, em La Paz, foi exatamente isso que aconteceu. Diante de uma altitude de quase 4.000 metros, os bolivianos venceram por 2 a 0 e provocaram um choque no futebol brasileiro: era a primeira derrota da Seleção em jogos de eliminatórias de Copa do Mundo. Em todas as edições anteriores, o Brasil jamais havia saído de campo derrotado.
O jogo valia pelas eliminatórias para a Copa de 1994, nos Estados Unidos. E o grande nome da noite tinha apelido de vilão de filme: Marco Antonio Etcheverry Vargas, o camisa 10 da Bolívia, conhecido como “El Diablo” (O Diabo).
Rápido e habilidoso, Etcheverry foi o pesadelo da defesa brasileira durante toda a partida. Cada drible era uma dor de cabeça, e cada arrancada, um alerta. O placar, porém, só saiu no fim. Aos 43 minutos do segundo tempo, depois de uma falha bizarra do goleiro Taffarel, o próprio Etcheverry abriu o marcador. Um minuto depois, aos 44, Álvaro Peña ampliou e selou o triunfo histórico da seleção boliviana.
Naquele ano, a Bolívia garantiu a vaga na Copa dos Estados Unidos. O Brasil, por sua vez, saiu de La Paz cercado de desconfiança sobre a classificação.
O troco e o tetra – A resposta veio no mês seguinte. Em 29 de agosto de 1993, no Estádio do Arruda, em Recife, o Brasil goleou os bolivianos por 6 a 0 e embalou rumo ao tetracampeonato mundial, conquistado em 1994. A derrota em La Paz virou apenas um tropeço no caminho, mas nunca deixou de ser lembrada, principalmente pelos bolivianos.
Vilão na Copa – Na Copa de 1994, o destino foi menos generoso com o “Diabo”. Contra a Alemanha, ele ficou em campo por apenas quatro minutos: foi expulso após uma jogada violenta no astro alemão Lothar Matthäus. Etcheverry estava no banco, vindo de uma grave contusão. A Copa, porém, durou pouco tempo para o craque.
Etcheverry se aposentou em 2006, depois de uma carreira que passou por clubes de vários países da América do Sul: Bolívar, de sua terra natal, Colo-Colo (Chile), América (Colômbia), Barcelona e Emelec (Equador). Na Europa, defendeu apenas o Albacete, da Espanha.
Foi nos Estados Unidos, porém, que ele viveu a consagração. Pelo D.C. United, onde jogou durante oito anos, conquistou três títulos e foi eleito o melhor jogador do campeonato em 1998. Em 2003, voltou à Bolívia para vestir novamente a camisa do Bolívar, clube que o revelou.
Pela seleção boliviana, foram 71 jogos e 13 gols, números que marcam uma geração lembrada até hoje pelos bolivianos. Para muitos, El Diablo foi o Zico da Bolívia. Para outros, foi o Maradona da Bolívia.
UNIVERSO ESPORTIVO – Da Redação
Foto – Fernando Gomes – Agência RBS

