52 horas correndo: Catanduvense supera prova mais extrema do Brasil após apenas um ano e cinco meses de treinamento
A dedicação, a disciplina e a força mental levaram o atleta Washington Falcão, de Catanduva, a conquistar um feito reservado para poucos. No último domingo (26), ele concluiu a UAI Ultra dos Anjos Internacional, realizada em Passa Quatro, no sul de Minas Gerais, considerada uma das provas de resistência mais exigentes do país e, para muitos atletas, a mais difícil do Brasil. Com 235 km, o atleta de Catanduva completou a prova após 52 horas.
Integrante da equipe Team Vaqueiro, Washington encarou o desafio de percorrer 235 quilômetros em um percurso de montanha extremamente técnico. O objetivo da competição é atravessar duas cadeias montanhosas e retornar ao ponto de partida dentro do limite máximo de 60 horas, enfrentando subidas íngremes, descidas técnicas, mudanças climáticas e o desgaste físico e psicológico característicos das ultramaratonas. Quem não completar a prova em 60 horas é eliminado.
O feito chama ainda mais atenção pelo curto período de preparação do atleta. Há apenas um ano e cinco meses treinando regularmente, Washington conseguiu concluir uma prova que exige meses — e, muitas vezes, anos — de experiência em corridas de longa distância e montanha. Atualmente, sua rotina de treinamentos acontece às terças e quintas-feiras, conciliando a preparação esportiva com a carreira profissional.
Graduado em Direito e atuante na área previdenciária, Washington afirma que completar a UAI Ultra dos Anjos representou muito mais do que cruzar a linha de chegada. Segundo ele, a corrida transformou sua vida ao ajudá-lo a superar a depressão.
“A corrida curou a minha depressão. Foi através dela que descobri uma resistência que eu nem imaginava que existia dentro de mim”, destaca o atleta.
Ao longo dos 235 quilômetros, cada trecho representou um teste de superação. Para Washington, concluir a prova foi a confirmação de que os limites podem ser ampliados com persistência, preparo e determinação. No total, 309 atletas iniciaram a prova e, apenas, 33 completaram o percurso.
Após alcançar um dos maiores desafios do esporte de resistência nacional, o catanduvense já traça novos objetivos. A intenção é seguir evoluindo e participar de outras ultramaratonas, ampliando sua experiência em provas de longa distância e representando Catanduva em competições cada vez mais desafiadoras.
Reconhecida entre corredores de montanha como uma das competições mais extremas do país, a UAI Ultra dos Anjos Internacional reúne atletas de diferentes estados e também do exterior, colocando à prova resistência física, estratégia, preparo mental e capacidade de superação em um dos percursos mais exigentes do calendário brasileiro.
“A parte mais difícil foi ver amigos sucumbindo na subida da montanha, já que a prova foi na Serra da Mantiqueira. No trecho chamado Pico do Papagaio, optei por ajudar vários atletas que estavam com exaustão e dores físicas, pois eu jamais iria abandonar meus companheiros”, disse Falcão, que nos últimos 80 km correu sozinho até completar a prova.
DA REDAÇÃO – UNIVERSO ESPORTIVO
Fotos: Divulgação




