De -8°C a 38°C: corredor de Catanduva encara dois dias de extremos no Atacama e conquista pódio no Chile
Há desafios que não são feitos para qualquer corredor. No deserto do Atacama, no Chile, correr significa enfrentar muito mais do que quilômetros. É encarar o ar rarefeito provocado pela altitude, a secura extrema, dunas, terrenos de areia e sal, subidas, vulcões e temperaturas capazes de variar de -8°C a 38°C.
Foi nesse cenário que o corredor de Catanduva Washington Falcão colocou à prova sua resistência. Orientado pela Team Vaqueiro, o atleta viajou ao Chile com recursos próprios para participar de dois desafios consecutivos e voltou para casa com uma conquista expressiva: o terceiro lugar em sua categoria na Maratona do Atacama, disputada no dia 27 de setembro.
Mas o pódio foi apenas parte de uma jornada que começou um dia antes: no dia 26 de setembro, Washington encarou o primeiro desafio, o Challenger Atacama, competição tradicionalmente disputada por ciclistas. Desta vez, porém, o atleta de Catanduva enfrentou o percurso correndo. Foram 162 quilômetros percorridos em 43 horas.
Depois de completar o primeiro desafio, Washington teve apenas 24 horas de descanso em San Pedro de Atacama antes de voltar ao percurso.
No dia seguinte, colocou novamente os tênis e encarou mais 42 quilômetros, desta vez na Maratona do Atacama, pela categoria Survivor 42 km.
Somados, foram 204 quilômetros de desafios em dois dias, em um dos ambientes mais extremos do planeta.
E o resultado veio em forma de pódio: terceiro lugar. “A dificuldade da prova não está apenas na distância. “Os percursos são realizados em altitudes superiores a 2.400 e 2.500 metros, onde o ar rarefeito torna a respiração mais difícil e aumenta o desgaste físico. Para o corredor, cada quilômetro exige controle, estratégia e capacidade de adaptação”, disse ele ao site Universo Esportivo.
O clima também é um adversário. No Atacama, Washington enfrentou temperaturas que chegaram a aproximadamente 38°C, enquanto em outros momentos da jornada precisou suportar frio de -8°C.
Do frio extremo ao calor intenso. Do ar rarefeito ao clima seco. Da areia às áreas de sal. Das subidas às descidas.
O percurso ainda levou o corredor por regiões próximas a dois vulcões, acrescentando à experiência uma combinação de altitude, terreno acidentado e condições climáticas extremas.
A hidratação também se transforma em um desafio permanente em um dos desertos mais áridos do planeta. A baixa umidade, associada ao calor e ao esforço prolongado, exige atenção constante do atleta.
Em determinados trechos, os corredores ainda enfrentam ladeiras, dunas de areia e terrenos de areia e sal, incluindo paisagens características da região do Vale da Lua.
“Não é simplesmente correr. É administrar o corpo diante de condições que podem transformar cada quilômetro em um teste de resistência”, frisou o atleta.
Catanduva no coração – Washington chegou ao Chile sem patrocínio para a competição. A viagem e a participação foram realizadas com recursos próprios, em uma decisão que demonstra o compromisso pessoal do atleta com os desafios de longa distância.
Mas ele não correu sozinho. No coração, levou o nome de Catanduva e também da Advocacia Falcão, empresa familiar que o incentiva e apoia sua trajetória esportiva.
O nome da família esteve presente durante os quilômetros percorridos no deserto, representando uma história construída entre a advocacia e a paixão pelas corridas.
A participação no Atacama também contou com a orientação da Team Vaqueiro, responsável pelo acompanhamento e direcionamento do atleta para enfrentar uma experiência que exigia preparação específica diante das condições extremas encontradas no Chile.
A medalha de terceiro lugar na Maratona do Atacama ganha ainda mais significado quando colocada ao lado de tudo o que Washington precisou superar antes de cruzar a linha de chegada.
Foram 162 quilômetros no primeiro desafio, 24 horas de recuperação e, depois, mais 42 quilômetros de maratona.
Foram 43 horas de esforço no primeiro percurso.
Foram temperaturas que oscilaram entre -8°C e 38°C.
Foram altitudes superiores a 2.400 metros.
Foram dois vulcões no caminho.
Foram dunas, areia, sal, subidas, ar rarefeito e clima extremamente seco.
E, ao final, veio o pódio.
A conquista de Washington Falcão no Atacama coloca o nome de Catanduva em um dos cenários mais desafiadores para quem pratica corrida de resistência e mostra que, para chegar ao pódio em uma prova dessa dimensão, não basta apenas ter velocidade.
É preciso ter resistência para continuar quando o corpo pede descanso, estratégia para administrar cada quilômetro e determinação para enfrentar condições que estão muito além das encontradas em uma corrida convencional.
No deserto chileno, Washington levou o nome de Catanduva, a força da família e a orientação da Team Vaqueiro.
E voltou com uma história que vai muito além de uma medalha de bronze.
DA REDAÇÃO – Tiago Lotto, Universo Esportivo
Fotos: Divulgação do atleta




